segunda-feira, 4 de maio de 2009

SOU MÃE...TIA... AVÓ... BISAVÓ...


Uma mulher chamada Anne foi renovar a sua
carteira de motorista. Pediram-lhe para informar
qual era a sua profissão.
Ela hesitou, sem saber bem como se classificar.

"O que eu pergunto é se tem um trabalho", insistiu
o funcionário."

Claro que tenho um trabalho", exclamou Anne.
"Sou mãe."

"Nós não consideramos 'mãe' um trabalho. 'Dona
de casa' dá para isso", disse o funcionário
friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia
em que me encontrei em situação idêntica. A
pessoa que me atendeu era obviamente uma
funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de
um título sonante, do gênero 'oficial inquiridor'.
"Qual é a sua ocupação?" perguntou. Não sei o que
me fez dizer isto; as palavras simplesmente
saltaram-me da boca para fora:

"Sou Pesquisadora Associada no Campo do
Desenvolvimento Infantil e das Relações
Humanas."

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta
permanente a apontar para o ar, e olhou-me como
quem diz que não ouviu bem. Eu repeti
pausadamente, enfatizando as palavras mais
significativas. Então reparei, maravilhada, como
ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário
oficial.

"Posso perguntar", disse-me ela com novo interesse,
"o que faz exatamente nesse campo?

" Calmamente, sem qualquer traço de agitação na
voz, ouvi-me a responder:

"Tenho um programa permanente de pesquisa
(qualquer mãe o tem), em laboratório e no terreno
(normalmente eu teria dito dentro e fora de casa).
Trabalho para os meus Mestres (toda a família), e
já passei quatro provas (todas meninas). Claro que
o trabalho é um dos mais exigentes da área das
humanidades (alguma mulher discorda?) e
freqüentemente trabalho 14 horas por dia (para
não dizer 24...).

" Houve um crescente tom de respeito na voz da
funcionária que acabou de preencher o formulário,
se levantou, e pessoalmente me abriu a porta.
Quando cheguei a casa, com o troféu da minha
nova carreira erguido, fui cumprimentada pelas
minhas assistentes de laboratório - de 13, 7 e 3
anos.

Do andar de cima, pude ouvir a minha nova
modelo experimental (uma bebê de seis meses) do
programa de desenvolvimento infantil, testando
uma nova tonalidade da voz.
Senti-me triunfante!

Tinha conseguido derrotar a burocracia!

E fiquei no registro do departamento oficial como
alguém mais diferenciado e indispensável à
humanidade do que "uma simples mãe"!

Maternidade... Que carreira gloriosa!
Especialmente quando se tem um título na porta.

Assim deviam fazer as avós: "Associada Sênior de
Pesquisa no Terreno para o Desenvolvimento
Infantil e de Relações Humanas". As bisavós:
"Executiva-associada Sênior de Pesquisa". Eu
acho!!! E também acho que para as tias podia ser:
"Assistentes associadas de Pesquisa".


(Desconheço o Autor).

domingo, 3 de maio de 2009

FELICIDADE REALISTA.

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e
amor, o que já é um pacote louvável, mas
nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde, ser magérrimos,
sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o
aluguel, a comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma
temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta
termos alguém com quem podemos
conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de
vez em quando. Isso é pensar pequeno:
queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente
apaixonados, queremos ser surpreendidos
por declarações e presentes inesperados,
queremos jantar à luz de velas de segunda a
domingo, queremos sexo selvagem e diário,
queremos ser felizes assim e não de outro
jeito.

É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser
felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante, pode ou não, ser
sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz
solteiro, feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.

Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa
aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não
perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado. E se a gente tem
pouco, é com este pouco que vai tentar
segurar a onda, buscando coisas que saiam
de graça, como um pouco de humor, um
pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o
possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato, amar
sem almejar o eterno. Olhe para o relógio:
hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar
lá dentro o que nos mobiliza, instiga e
conduz mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa
seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal
competitividade. Se a meta está alta
demais, reduza-a. Se você não está de
acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo.
Faça o que for necessário para ser feliz. Mas
não se esqueça que a felicidade é um
sentimento simples, você pode encontrá-la e
deixá-la ir embora por não perceber sua
simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes,
que nos atormenta e provoca inquietude no
nosso coração.

Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo,
Mas não felicidade.


(Martha Medeiros).

sexta-feira, 1 de maio de 2009

SE EXISTE SAUDADE.


A saudade é esse passarinho que vem de leve e pousa no nosso coração trazendo lembranças, como um colibri que beija a flor e traz beleza.

E ela nem escolhe hora ou lugar, só aparece assim, invadindo inteiramente esse espaço que consideramos reservado às pessoas ou ocasiões especiais.

Mas se existe saudade, é porque existem sementinhas de ternura plantadas em nós; pedacinhos de coisas boas, que talvez nem tenham ficado muito tempo,
mas o suficiente para deixar um rastro, um sabor, uma marca, um perfume.

Outro dia, falando sobre a saudade que sinto da minha família virtual,
ouvi, com surpresa, alguém dizer que não é possível sentir saudade de pessoas que nunca vimos. E como não? Que nome dar então a essa falta,
esse vazio nostálgico, dolorido e bom que invade a alma e toma conta do momento? Essa viagem que fazemos sem malas e documentos e que nos leva e nos trás, cheios de amor e de não sei o quê?

A saudade é uma prova, um certificado, carimbado e assinado embaixo de que não estamos inteiramente sós e nem vazios.

As pessoas vêm e vão e ficam assim se prolongando em nós, existindo pela eternidade do nosso caminho.

E amanhã ou depois, quando tudo o que sobrar em nós forem pedaços do passado, teremos esse coração rico em histórias que nos farão rir sozinhos e nos sentir vivos.

São essas as peças que os verdadeiros amigos pregam ao nosso coração. Caímos nessa armadilha e ainda nos divertimos.
Aprendemos assim que sentir saudade é respirar o amor que plantaram em nós.
É viver depois repletos desse amor para a vida toda.


(Letícia Thompson).
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